Post-Scriptum 1:
Outra vez acendera um cigarro.
Outra vez à janela.
Outra vez pensara nela,
e na última prova.
Outra vez deglutira
a metade do forçoso comprimido.
A véspera fora festa rija:
Incendiava-se o dividido fuel.
O mundo tornava-se incomportável.
Como sair?
Se só restavam ilusórias seguranças.
Tais como janela, cigarro,
algum inesperado encontro,
água por filtros purificada,
ar ventando,
de ignorado lugarejo.
Donde infamemente renovava?
Respirar, agasalhar, vestir,
aguardar o alvorecer:
O instante idealizado:
Indiferença,
e não ter que pesar,
ao esclarecer soalheiro,
a silêncio,
brandura,
sentimento.
Despertar maravilhas;
olhares crescendo,
barba feita,
cara a dar;
pobreza, abandono,
recôndito provento;
fome,
divinização,
água;
pão,
vinho,
mudez.
Noite ante a janela,
lidas, rotinas,
paradoxalmente
até à liberdade:
Febre, suor frio,
esparguete, fim roído.
Beijos sumidos,
miudinha chuva
sobre a chapa do carro.
Até logo!
Barrenta
a rampa,
o convento,
a cerca,
terra semeada,
irmãzinhas afadigadas:
Tudo lento,
pleno,
da memória.
Evasão(...)
Post-Scriptum 2:
O ondeante azul as aves sabem
porque vagueiam
para o cimeiro castelo,
onde uns teus cantares calam
na dorida alma mãe,
alento a pobres.
-
Trago-te flores neve,
num aconchegado ramalhete,
canídeo as enxerguei,
e as recolhi,
porque busquei
toda a noite
a clara aurora.
-
Nocturno torpor
a buganvília anula,
o florido jacarandá
maravilha da cor,
chega até à janela
com aves matutino rir.
-
Sanguíneo frio fio riscando a polpa da pêra;
viçoso serviço encomendado;
ígneas tumbas em infames catacumbas.
-
Mãe, dissesTe pra parar.
Repetidas vezes ouvi a linda voz que bem entendo.
Mas reincidi teimando.
Cale agora o sussurro rouco, a confusão,
a turva inquietação, logro meu.
Soe simples louvor a Teu Silêncio Imenso.
Obediente paciente amiga, perdoa.
Recomece, determinado, a aprender morrendo.
-
Mãe, pega-me ao colo.
Salva-me Tu os nulos dias.
Faz com que adormeça
o peso que aqui me tomba.
-
Um dia destes
pego na bagagem
ao ombro,
vou desandar
das tenebrosas barricadas,
afundar-me
p’lo ar esclarecido,
duma brandura
amiga escancarada,
nadar para o luar,
amar, pairar, fugir,
alçar daqui de mim.
-
Companheiro,
come pão
com tua mão.
Teu pão
é pão de irmão.
Come pão,
parte pão,
parte, reparte
com teu irmão.
Que pão
é pão de irmão:
Pão
é pão igual
para ti
e para irmão.
-
Antemanhã:
Pousa um bufo-real a meio metro de mim,
fita-me dum pranto fundo,
familiar há milénios luz pelas cercanias,
olha-me, e ameaça;
abertas a ele as portas do meu coração,
voa de dentro de meu peito forte
para a liberdade farpada do arame que nos fere;
nítido ainda o registo em foto flash,
a devorar-me os olhos morte
na noite prolongada.
-
Não se julgue que não é cão,
porque cão mesmo é,
ao nível do chão,
captado por seu Ochoa dono,
com zoom máximo e flash Sony,
ao nível mesmo mais são do pobre chão.
«Sai depressa cão deste poema…»
Mas cão não é nem nunca será macacão.
-
Simples palavras digam certas tal-qualmente
coisas a estudar sempre aí ante a tua livre mente.
Outras sonhadas palavras digam
com rigor fulgente.
-
Um dia
um saltimbanco
assaltou banco.
Sobe a um banco, e grita:
Isto é um assalto!
Chega GNR,
prende saltimbanco.
Nunca mais saltimbanco
assaltou banco
-
Prego no chão.
Pede rapagão.
No chão?
Inquire garçon.
Para meu cão.
Insiste rapagão.
(Com palavrão se entretém solidão de cão.)
Inscrições:
- Se amor com amor se paga, amar ante amor amante,
a ao amor amado devolver o amor, a o amor amar por toda a vida.
- Amar o grande mar; amar deveras verde mar; amar do amor maior
o mar maior.
- Deus Menino, conte à Mãezinha tudo, tintim por tintim.
- Há muitas flores no nome de Jesus, porque, se andamos longe, mais
perto estamos.
- Brando ser, pleno poema, breve, neve, leve, à tona de ar,
corre e vai, longe a paisagens onde para lá de vento e mar.
- Desperta, enche da flor em neve, vinho, pão meus olhos, minha terra.
- Melrinho fiel, que cedo me visitas, saltitando esvoaçante, a cantarolar
cantitos puros absolutos, sílabas dum chão empedrado e turvo
na antemanhã liberta das rosas; vou para filmar, e idealizo uns planos
picados para acompanhar-te a divagação magnífica, enquanto me deixas
por erva húmida, antes dum sol desconhecido.
Happy Birthday to you""%%@@