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nos reduz teu vicioso ciclo alcoolizado. Era só o que vias este sol? Ou, mais pra lá do que disseste, ou nos subscritos selados nos deixaste, não haverá rua, lua, alma, sonho, praia, monte, voo, luz, quid, imensidade? Que o hoje não é só essa Lisboa. - Do que me dão: O bom Cristo, pão sem peixe embora. - Foste mesmo um menino, aos tombos p’lo cais da vida. - Dulcinea del Toboso y Quijote de la Mancha celebram prolongados festejos nupciais. Pra quê inventar novo término para o mais famoso romance? A noite alonga-se. Rio-me alarvemente de gaffe têvêvista do Prof. Marcelo. Onde param a esta hora esconsa os meus óculos? Reza o entendido eclesiástico que quanto impacte os telejornais transmitiram resultou d’acérrima pesquisa. - Violinos a sussurrar um Danúbio fotográfico, trapezistas kafkianos, vagabundos artistas, devastada, imensa alma russa, aí vás peregrino. Labirínticos atapetados recantos, confuso chá, altaneiras tâmaras. Enormíssima musical litania, samba, mescla santa. Cordilheiras, píncaros, mansas enseadas, virgens florestas, morrinha, encantatórios ermos. Soberana voz amordaçada cantando pra bailico, voláteis engenhocas obrigando-nos a baixarmo-nos, vergada erva, dunas ondulantes, percorrido vento. Que rumoreja o Sena? Quem chora em Notre-Dame? - A cadelinha estendia-se ao sol no lençol da rua; árvores espreguiçavam-se. - O lugar em que estás, o mais distante. - Os poetas pararam. Ao mesmo tempo tiveram a mesmíssima inspiração: O ventinho que soprava era a grande paz. - Poesia, tratasse-te por tu, que tudo acabaria nu. - Sento-me na casa. E parece não haver nada a fazer do coração. - No primeiro Sábado, rejubilou o bom Deus: Era pura, plena, a criação. Eva, Adão, & Filhos, Limitada, com o imperativo de dominar mãe terra, a conspurcaram. Homem Outro, flébil espírito, quis, num oportuno tempo, reconstruir a comum habitação. Bem sopra onde quer Um Vento Novo, e chora a fio a boa Mãe… Bué estopada, fim sem fim… Tudo pior que estragado. - Mistério de Luz: Sobre jumenta paz sobes a celeste Jerusalém e ouves A Aclamação: ‘Hossana ao Filho Rei!’ - Grunhe suíno na pocilga. Não que escasseie bolota. - Cócórócas, galaroz? Esganam-te. - Arrulhas, pomba, ’Spríto? - Zurras, burro? Obras urtiga. - Busca, rafeiro, filas rubi. - Pula, macaco, achas galho. - Alça nariz girafa. Que quesita cata. - Orca tonta, esguichas? - Forças voo, cegonha? Brandamente paira. - Rato anafado com sujidade se ceva. - Lebre saltadora nenhum rasto topa. - À borboleta, ofuscada, o sol a turba. - Vaca leiteira pasta erva verdadeira. - Insecto seco, areia grossa. - Formiga na retirada. - Poeira nuns interstícios. - Bolbo, água, antenas, arame. - A pardal bico destila mel. - Das macieiras ramas, bordado edénico. - Resfolgas, coelhito? Tens certo um catatau. - ‘A saudade saudadinha diz-se nada no Faial…’ S’em ti voasse, saudade, era meu o Portugal. - A amiga saudade é viúva, noiva, e tem por irmã a manhãzinha, a noite é dela também. - Não chores, madrinha, que o netinho voltou, pra revolver o sol à casa aberta, e arrasar casulos a teus bichos-da-seda. - Tecerem-se ramagens de girassóis. - Aquela clareira inteirinha intervalando pura luz livrou-nos. - Da indecisão a um calor melhor a ti própria te perquirires. - Encantos, olhos abertos. Raiva, punhos cerrados. Asas, mãos a céus. Mágoa, do passado. Prece, livro a ler. Esperança, nome gravado. Fúria, fome de pão. Luta, teu bordado. Vida, tu a dizes, meiga rosa, verde prado. Morte, estar vivo. Palavra, ai pesado. Isto dito, eis retrato esboçado. Durmo, velo, ’s’sperado; fujo, fico do teu lado. Voo, tombo, atordoado. Amo, espero, arrojado; por flores aluado. Esta paz, lago habitado, canto: Chilreado, alma, voz, som, sopro alado. Paira noite, chão chovido. Abre o dia, fim datado. Abre a luz, dou-me enleado: Abrigada, céu, e fado. Se me ama, bondade demasiada, não lembra nenhum pecado. O choro já chorou. Vigia os dedos na r’scrita. Margem, água, poesia, onde tomba uma pétala. Põe os olhos em mim. Me quer, me tem. Gozo infindo seu regaço: Mãe, mulher, calhandra, senha, recado. Baixinho sussurra-me ao ouvido. Sacia-me do mel, manjar sagrado. Sonha-me um sonho sobre meu ombro reclinada. Meu tu, meu tudo, asa, porta, ave, cofre do divino cheiro, M. - Olha o desfeito ar, libérrima floração p’la fonte das moçoilas. Goza-o pra lá das gazelas, à jorrante nascente. - Mãos vazias voos dobrados. - Aqui o quente Inverno, povoado por luzeiros, memórias de alegria. Resolve-se o poema a rítmico bater dos corações. Habita o ar vazio e raro, trazendo montanhas, transido de infinito. Morro a saudade, complexa fantasia. Foge a vida, precário estou, a lumes sublevado, dócil a musicais tarefas: Tudo, pra lá do amor bom, o vinho tinto, o verso cheio, a dura cama, o sobrado deslumbre, a boa boda. - O filho errante a casa volta; do pai, que sempre o esperou, tem abraço e perdão bom que nem mel, a escancarar amanhãs. - Enquanto cristãos, budistas, judeus, muçulmanos clamam paz, tenebroso repórter, aviadas trouxas, engenhos prontos, vai pra noticiar in loco artilharia; a seu recanto fugida uma criança enlevos teima, fazendo terços com aramezinhos, e missangas; dia após dia, burocratas abancados, p’lo inóspito café, mobilizamos fúrias imperturbáveis, ante imprensa, a inquirir terror. - Réstia no cinzento cimento, a alface, carícia a exilado. - Após decepcionantes ilusões retorno a sonegado sabor vivido. - Dar-me à manhã, crescendo magoada saudade; dar-me a caminho aclarado p’lo ar do teu olhar; dar-me à poesia, flor lancinante. - Animal ferido, a guerra deixou-te só, mas alentaste-te descansado. - Dócil à vontade maior, acolhesTe o Sopro Fecundante. Pobre cristão, Te frequente Escola, e Te imite, Miriam, em rota pra O Pórtico. - ‘Saciado com a flor da farinha e o mel dos rochedos…’ Livre como um passarinho me desejaria… - Hoje é sábado ou domingo? Aéreas pedras, árvores, aves transmutam-se oração. Alguém permanecerá indiferente ante tal Eclosão, divino amor? Uma rosa arde do íntimo mundo; boca para a palavra, desflora intocável completude. Não, nada dizer, antes ser: Se evolar alma. O eterno dorme no verso, que rima com Maria, Mãe e Fim.
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